Dia Mundial de Conscientização sobre Linfomas: chances de cura podem chegar a 90%

  • Crescimento das ínguas que persistem, emagrecimento, febre diária, sudorese noturna, falta de ar e tosse são alguns dos principais sintomas da doença, que precisa ser diagnosticada e tratada precocemente.

Linfonodo. Você já ouviu falar nesse nome? Um linfonodo, ou gânglio, nada mais é do que uma íngua (espécie de caroço) formada pelo acúmulo de células de defesa do organismo, podendo surgir em diferentes regiões do corpo. Esses linfonodos são parte importante do nosso sistema linfático. São eles que avisam quando alguma coisa está errada.

O aumento dessas células é uma resposta normal de defesa do organismo, o que significa que 95% dos casos deverão ser por razões benignas. Quando temos alguma infecção, nossos linfonodos podem aumentar de tamanho e ficar inchados, evidenciando as famosas ínguas. Mas, elas devem permanecer aparentes por, no máximo, um mês. Se passarem desse período, é hora de desconfiar de algum problema mais sério e procurar ajuda médica especializada. Isso porque o crescimento inexplicável do linfonodo (íngua) pode sinalizar uma doença grave chamada linfoma. “É um tipo de câncer que tem origem em uma célula do nosso sangue chamada linfócito (um tipo de glóbulo branco), que tem a função de defesa do nosso organismo. Em condições normais, os linfócitos realizam a defesa do nosso organismo contra infecções, porém, quando essas células sofrem mutações e se proliferam de uma maneira desorganizada, é que surge o linfoma”, explica Dra. Lisa Aquaroni Ricci, médica hematologista do Instituto de Oncologia de Sorocaba (IOS).

A especialista alerta para os seguintes sinais da doença: emagrecimento inexplicável; aumento dos gânglios, principalmente nas regiões do pescoço, axilas e virilhas; sudorese noturna (suor excessivo à noite); febre vespertina diária (febre baixa, que acontece no final da tarde e não está relacionada a infecções); entre outros sintomas, de acordo com a região que o linfoma se manifestar. “Como o sistema linfático está presente em muitas regiões do nosso corpo, ele pode surgir nos mais variados locais, até mesmo, na pele, estômago, intestino, mamas e medula óssea, embora o mais comum seja o envolvimento dos gânglios. O sintoma sempre estará ligado à região afetada. Por exemplo, se crescer na região do peito, o paciente pode apresentar dores no local, falta de ar e até tosse. Em pacientes com linfoma na região do abdômen, os presságios são as dores abdominais, alterações do intestino e assim por diante”, descreve Dra. Lisa.

Algumas situações expõem para riscos de complicações da doença, como pacientes com HIV ou em estado de imunossupressão, assim como pessoas frequentemente expostas à radiação e substâncias químicas, como solventes, herbicidas e pesticidas.

Diagnóstico e tratamento precoce

Existe dois tipos principais de linfoma: os de Hodking e não Hodking, uma classificação importante para que os médicos possam saber qual tipo de tratamento deverá ser realizado.

O linfoma de Hodking é responsável por cerca de 10% a 20% dos casos, atingindo, em sua maioria, os jovens. Este tipo de linfoma é caracterizado pela presença de células grandes e facilmente identificáveis no linfonodo acometido, conhecidas como células de Redd-Sternberg. Já, os linfomas não Hodking são muito mais comuns e atingem todas as faixas etárias.  Este gênero não tem um tipo celular característico, apresentando expressiva heterogeneidade morfológica, imunofenotípica e genética, sendo essas características os pilares que sustentam o diagnóstico e a classificação dos mais de 40 tipos de linfomas reconhecidos atualmente. Outra diferença é que nos linfomas não Hodgkin há um contingente menos significativo de células inflamatórias e estromais no tecido tumoral, e a grande maioria das células são clonais, derivadas de um precursor linfoide comum que sofreu transformação neoplásica. Atualmente, existem mais de 40 tipos de linfomas não Hodkings classificados.

O diagnóstico é feito por meio de biópsia, ou seja, da retirada de uma pequena amostra da região afetada, que é posteriormente analisada em laboratório por um patologista, além de exames de imagem, tais como: tomografias ou PET Scan, exames que irão auxiliar no estadiamento, ou seja, irá ajudar na obtenção do grau de disseminação da doença pelo corpo. “São exames fundamentais para identificar o subtipo do linfoma e determinar qual o tratamento ideal para aquele paciente”, destaca a especialista do IOS.

Segundo Dra. Lisa, o tratamento, geralmente, é baseado em quimioterapia, podendo ser associado à radioterapia ou necessitando, em alguns casos, de transplante de medula óssea. “Hoje em dia, o tratamento está muito avançado, a depender do estágio da doença, ou seja, do quanto está avançada no organismo. Alguns pacientes com linfoma de Hodking em estágio inicial, por exemplo, podem alcançar chances de cura de até 90%. Então, sabemos que, se a doença for diagnosticada precocemente, há uma maior chance de cura para um grupo muito grande de pessoas”, enfatiza a hematologista.

Mais informações podem ser obtidas pelo site: www.oncologiasorocaba.com.br ou pelo telefone: (15) 3334-3434. O Instituto de Oncologia de Sorocaba está localizado em novo endereço: no Centro de Medicina e Saúde, que fica na Avenida Comendador Pereira Inácio, 950, Térreo, no Jd. Vergueiro.