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Dia Mundial Sem Tabaco: tabagismo é responsável por 90% das mortes por câncer de pulmão

  • Cigarro também é fator de risco para outros 12 tipos da doença; fumantes ativos e passivos correm grandes riscos, afirma médico oncologista do Instituto de Oncologia de Sorocaba (IOS). 

    O tabagismo é responsável por 90% das mortes por câncer de pulmão e fator de risco para outros 12 tipos da doença, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA). Diante desses dados, a campanha Dia Mundial Sem Tabaco, celebrado neste domingo (31/05), alerta sobre esse e diversos outros problemas de saúde e mortes causados pelo cigarro.O cigarro contém mais de 4.700 substâncias, como nicotina, acetonas, amônias, formaldeído e diversas outras. Desse total, 70 têm potencial cancerígeno, afirma Dr. Carlos Eduardo Ribeiro de Moura, médico oncologista clínico e diretor do Instituto de Oncologia de Sorocaba (IOS).  De acordo com Dr. Carlos, o tabaco também é encontrado nos narguilés, inclusive com maior quantidade de alcatrão, aquele resíduo amarelado que contém maiores concentrações dos cancerígenos. Portanto, esses dispositivos igualmente oferecem riscos. Quanto mais industrializado for o produto, mais químicos tóxicos ele possui, explica o especialista. “Usar o narguilé por uma hora equivale a fumar cem cigarros”, adverte. “Ainda não há estudos comprobatórios quanto à relação dos cigarros eletrônicos com a doença. Mas sabe-se que os produtos acarretam outros problemas de saúde, especialmente respiratórios”, acrescenta o médico oncologista.

    Quando o cigarro é aceso, ao serem expostas à alta temperatura, as substâncias presentes queimam. Ao tragar a fumaça, o fumante ingere, automaticamente, todas elas. Os elementos produzem severas alterações no organismo, podendo resultar no câncer. O mais comum deles é o de pulmão, informa Dr. Carlos. O hábito de fumar não implica, necessariamente, no aparecimento desse tipo do mal, sendo que ele também afeta não fumantes. No entanto, o tabagismo eleva drasticamente as chances de desenvolvimento da doença. “De todos os pacientes diagnosticados com câncer de pulmão, entre 80% e 90% deles fumam”, alerta o especialista.

    No mundo, é o primeiro com maior mortalidade, conforme o INCA (Instituto Nacional do Câncer, do Ministério da Saúde). Para este ano, o instituto estima mais de 18.200 novos casos de cânceres de tranqueia, brônquio e pulmão no país, sendo 17.760 em homens e 12.440 em mulheres.

    Apesar de apresentar maior influência no surgimento do câncer de pulmão, o tabagismo também contribui para a ocorrência de outros 12 tipos do mal: leucemia mielóide aguda; câncer de bexiga, pâncreas, fígado, do colo do útero, esôfago, rim e ureter, laringe (cordas vocais), na cavidade oral (boca), faringe (pescoço), estômago e cólon.

    Esses cânceres podem afetar não somente os fumantes ativos, como também os passivos. Nesses casos, quem não fuma, mas tem contato direto e constante com a fumaça do cigarro, tem de 30% a 50% de risco de apresentar a doença, informa o médico. Porém, essas situações são mais raras e demandam longos anos de contato com a fumaça e convívio com pessoas que fumam diversos cigarros diariamente, pondera o especialista.

    Tanto para fumantes ativos, quanto para passivos, os efeitos das substâncias tóxicas permanecem no organismo por até 15 anos após o fim do hábito. Sendo assim, o corpo fica com baixo risco dos males ocasionados pelo cigarro somente após longos períodos. O tempo está relacionado à quantidade de cigarros fumados pela pessoa durante a vida, e à capacidade do organismo em eliminar esses elementos prejudiciais. “Ou seja, depois de 15 anos, a chance de o ex-fumante desenvolver o câncer é próxima à de um não fumante”, explica o oncologista do IOS.

    Não fumar ou parar o quanto antes reduz consideravelmente a possibilidade do surgimento desse mal, frisa Dr. Carlos. Abolir o tabagismo é a primeira maneira de diminuir o risco de câncer, conforme o INCA, e a principal causa de morte evitável no mundo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). “Os hábitos saudáveis de vida, tais como: alimentação adequada, prática regular de exercícios físicos, combatendo o sedentarismo e a obesidade, além de evitar o consumo de bebida alcóolica também são grandes aliados contra a doença”, elenca ele.

    O oncologista indica, ainda, o acompanhamento médico preventivo uma vez por ano, para um check-up geral. Ao primeiro sintoma de câncer, a pessoa deve buscar o auxílio de um especialista. Em relação ao câncer de pulmão, os principais sinais são: tosse contínua e não curada com medicamentos, escarro com sangue, dor no peito, rouquidão, falta de ar, perda de peso e de apetite sem causa aparente, cansaço e fraqueza, além de pneumonia recorrente ou bronquite. Eles geralmente aparecem nos estágios mais avançados da doença. Já, as metástases causam dor nos ossos, na barriga e em outras partes, dependendo da localização do tumor.

    O sucesso do tratamento está relacionado à descoberta do problema em sua fase inicial. A detecção precoce garante qualidade de vida ao paciente.  “Quanto menor o tumor, mais fácil é o tratamento e maiores são as chances de cura”, reforça Dr. Carlos.

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